Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria ,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera , amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
(Pablo Neruda)
pés descalços
Vai ter uma festa que eu vou dançar até o sapato pedir pra parar. Aí eu paro, tiro o sapato e danço o resto da vida. (Chacal)
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
O mundo está doente
O homem deitado no chão, debaixo da markize, dorme...será que sonha? Na vitrine, calçados de todos os tipos de todas as cores em promoção. É verão... e chove! Nas palavras do menino que passa: "mas que tanto de gente"! Formigueiro de gente de guarda-chuva. Suas pernas e pés, paisagem do homem que dorme. Suas vozes, passos e murmúrios...canção de ninar para o homem que dorme. E a cama no quarto na casa do homem que dorme no chão debaixo da markize? peguntaria o menino. Não haveria resposta, porque todo o mundo dorme, em sono profundo.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Espera
na rua nua
espera o bonde passar
passarinho canta
sorrateira
a chuva pinga
na alma crua
de quem espera
o amor chegar
o bonde passa
um assobio dança
para o arfante peito
cansado de esperar
espera o bonde passar
passarinho canta
sorrateira
a chuva pinga
na alma crua
de quem espera
o amor chegar
o bonde passa
um assobio dança
para o arfante peito
cansado de esperar
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Uma pausa para a palavra
Chega a hora de partir. Do outro voltar. Eles vão e vem, enquanto fico, e fito...a vida passando! Até quando? O sol é quente lá fora enquando a espera aqui dentro, demora. E eu bebo a água fresca num gole só, pra matar a sede e a saudade.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Por quê?
Antes de responder, deixo claro, já logo de início, minha dificuldade em dar nome às coisas. Declaro também minha limitação em dissecar e descrever os fatos. Minhas tentativas sempre deixam histórias pela metade. Mas em mim, elas sobrevivem inteiras, mesmo que repousem por um tempo no esquecimento. Foram sentidas, todas intensamente sentidas.
Por quê? Porque às vezes é preciso dizer.
E que as palavras venham cheias de simplicidade e alegria, dançando de pés descalços!
Por quê? Porque às vezes é preciso dizer.
E que as palavras venham cheias de simplicidade e alegria, dançando de pés descalços!
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